Guerra civil

Este assunto é algo complicado, polémico mesmo, porque pode parecer que estou a exagerar bastante nas palavras, mas gostava de deixar aqui a reflexão.

Na guerra colonial, para a qual foram mandados estupidamente soldados portugueses (o meu pai incluido) morreram pouco mais de uns milhares de soldados. Lamenta-se todos os anos, por altura do 25 de abril, fazem-se monumentos aos soldados que lá morreram por este país fora, etc. Tudo muito bem, nada contra da minha parte.

Agora o que ninguém se lembra (alguns falam nisto, mas o assunto nunca é muito desenvolvido) é a guerra civil que está a decorrer de há uns anos para cá dentro do nosso próprio país.
“Mas do que é que este gajo está a falar? Passou-se!!”. Pois. Não me passei não. A guerra civil desenrola-se nas estradas, meus caros, e já matou 10 vezes mais pessoas do que a guerra colonial. Todos os anos morrem centenas (algumas vezes milhares) de pessoas nesta guerra (condutores portugueses vs condutores portugueses). E sabem que mais? Cada vez está pior. Não que morra mais gente, porque felizmente os carros cada vez oferecem mais segurança, e as estradas vão melhorando, mas cada vez mais se vê asneiras atrás de asneiras por este país fora (quem viaja muito pelo país sabe do que estou a falar).

Fazem-se campanhas “agressivas” nas tv’s e jornais e sabem qual é o resultado? ZERO. RIEN. Cada vez está pior. Ninguém respeita um limite de velocidade, nada. E depois também há a parte das autoridades, principalmente a Brigada de Trânsito, um organismo fictício que só serve para passar multas por excesso de velocidade e fazer mega operações stop, devidamente comunicadas com antecedência aos jornalistas. Dou um exemplo pessoal. Há uns dias, percorri literalmente o país de uma ponta à outra. Montalegre - Covilhã - Montegordo. São, meus caros, 780 km. Vezes dois, dá qualquer coisa como 1500 km, arredondados. A maior parte do caminho é feita por ip´s e estradas nacionais. Sabem quantas brigadas da BT vi a vigiarem as estradas? 2. Sim, passei nos 1500km de viagem por duas patrulhas da BT, uma a mandar parar carros e outra a passear-se no ip2. Isto é grave. Muito grave. Sem policiamneto “visível” nas estradas, os condutores não querem saber. Aceleram até mais não poder, fazem manobras perigosas que não lembram a ninguém, tudo porque não existe aquele factor de “medo” de ser apanhados (está provado que em portugal as campanhas não resultam, e a presença da polícia na estrada seria a meu ver a única solução eficaz). Podem falar-me dos radares, sim, mas esses só servem para passar multas por excesso de velocidade nas auto-estradas, coisa ridícula, porque se alguém for a 120 ou a 140 vai dar precisamente ao mesmo, e não é nas autoestradas que as pessoas morrem (pelo menos 90% delas).

Com tudo isto, meus caros, não é demais dizer que isto é uma autêntica guerra civil, só que disfarçada com o nome de “acidentes rodoviários” …

Fiquem bem e conduzam com precaução.

7 Comments so far

  1. Dextro on September 5th, 2006

    Que mais posso dizer se não que concordo plenamente e a “solução” que apresentas é assustadora de tão simples que é e tão ignorada que pareçe ser pelos nossos “governantes” (se é que lhes podemos chamar isso)…

  2. jatozzz on September 5th, 2006

    não concordo. poderia resolver alguns problemas o maior policiamento. mas eu penso que a solução está dentro da cabeça das pessoas. se pensares bem, esses condutores “malucos” somos todos nós. não acho justo dizer que “eles são uns tolos, mas eu não! eu conduzo bem e melhor que os outros milhares de pessoas que estou a acusar!” digo isto porque o que funciona mal não é o policiamento que é muito maior que lá fora. já fui à holanda de carro e depois passei pela suiça e voltei e deparei-me com três brigadas de trânsito em portugal e em 5200 km de estrada não apanhei nenhuma brigada no estrangeiro em 5 países por onde passei, apenas encontrei a policia alfandegária na suiça. assim, a solução passa pelo civismo e consciência das pessoas, não pela repressão a que são sujeitas.

    um abraço

  3. Boss on September 5th, 2006

    O problema em portugal é memso esse, a cabeça das pessoas. Eu considero-me um condutor respeitador, por isso não tenho qualquer problema em apontar o dedo aos outros. Aliás, só uma pessoa com a consciência limpa poderá fazer uma reflexão destas.

    Em Portugal existe o culto do “eu é que sou fixe a conduzir”, mesmo tendo nas mãos um fiat punto ou um opel corsa … Claro que a mente das pessoas tinha que mudar, sim, totalmente de acordo, mas não muda. E quando as coisas não vão a bem têm que ir a mal.

    Em relação á BT e ao patrulhamento nas estradas o que realmente interessa é que eles andam a gabar-se para os jornalistas com as “operação natal”, “operação páscoa”, etc, e depois não se vê nada, nem os acidentes a diminuirem nem os próprios na estrada.

    Enfim, um assunto polémico, sem solução fácil à vista (para mim havia uma solução única, visto as campanhas nitidamente não resultarem, que seria a total repressão por parte das autoridades de comportamentos perigosos nas estradas, mas isso também não vai acontecer … porque é preferível ir pela via do “politicamente correcto”).

  4. Vlad on September 6th, 2006

    Concordo com o que escreveste e com o que aqui já foi acrescentado também, todos nós temos um sentimento de que somos o melhor condutor do mundo, mas acontece é que alguns ainda assim cumprem o código no tocante a velocidades,cuidado nas manobras, falar ao telemovel, etc. Outros há que só se lembram ao ver uma patrulha da GNR ou PSP.

    Outra soluçao que se pode por em prática é a dos carros de cartão entre carros verdadeiros, porque com o MEDO das multas (que têm de ser mais elevadas e apreensão da carta) é que a maior parte cumprirá. Pois aí tocará na pele como se usa dizer e enquanto não houver “dano” nas vidas pessoais as pessoas não querem saber. “O mal só acontece aos outros”.

  5. Boss on September 6th, 2006

    Senhor vlad, muito bem falado. Um dia destes estou de volta. ;)

  6. Pedro Pereira on September 9th, 2006

    Concordo com essa tua tese da guerra civil nas estradas portuguesas, mas já agora gostava de te dizer que em tudo o mais nas tuas observações, és um jovem [?] ignorante. Então morreram só «pouco mais de uns milhares de soldados» na guerra colonial portuguesa??? Coisa pouca não? Não calhou pela tua porta é o que é, mas pergunta a todos aqueles que perderam os seus filhos, os seus maridos, os seus pais naquela guerra de merda. E o que dizes dos milhares de deficientes, de estropiados da guerra colonial, que se contam por dezenas de milhar, a quem os sucessivos (des)governos deste país fazem vista grossa, dando em contrapartida, pensões aos cagarolas que fugiram da guerra. Não que essa fosse boa, mas foram cobardes, desertores e agora são todos uns «coitadinhos» combatentes anti-fascistas. Ora se eles fossem para a p… que os..p…
    Não brinques com coisas sérias, rapaz!

  7. Boss on September 10th, 2006

    Caro Pedro:

    Jovem ignorante … ??!!

    Vejamos. O meu pai foi alferes durante ano e meio na Guiné Bissau. Só nesse ponto, conto com mais relatos e experiência “directa” na matéria do que 90% da população.

    A expressão “pouco mais de uns milhares” não terá sido a melhor escolha, portanto, mas posso-te garantir que as pessoas que já morreram nas estradas é muito, mas mesmo muito superior ao número de mortos na guerra colonial.

    Como deves compreender (ou pelos vistos não) eu só falei em mortos. Já que queres levar a coisa para os estropiados e deficientes de guerra, ficas a saber que os estropiados, deficientes e afins resultantes dos acidentes nas estradas são muitos milhares (dezenas de milhares?) mais do que os da guerra. Chama-se proporcionalidade … Há mais mortos, há ainda muitos mais feridos.

    Quanto ás questões do governo e por aí fora, meu caro, isso é o país em que vivemos. É a puta da vida (pode-se dizer asneiras por aqui) … Mas contra isso não podemos fazer nada.

    O meu pai se tive-se escolhido tinha entrado para a universidade, no ano em que o obrigaram a ir para a guerra. Não me venhas dar lições de moral para aqui. Compreendo a ideia, mas está completamente fora do tom, neste caso concreto.

    Ps: não era, obviamente, minha ideia menosprezar esta guerra estúpida (não o são todas?) que foi a guerra colonial, mas sim chamar a atenção para algo, em meu entender, muito mais grave e a uma escala muito maior que se passa neste país, neste momento.

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