Pequena retrospectiva – 2006
2006 foi um ano muito significativo no mundo das tecnologias. Assistiu-se a muitas novidades (mais conversa que outra coisa) e a algumas revoluções importantes que, a meu ver significaram, de vez, o inÃcio do fim do monopólio da Microsoft. Alguns pontos importantes de 2006:
O previsto boom do RSS, que afinal não foi assim tão boom quanto isso, porque o utilizador de internet em geral continua (e sempre será assim) a não querer saber destas coisas. No entanto, existe já a “obrigação” de disponibilizar esta tecnologia aos leitores, e para não variar, em Portugal continuam a ser lançados serviços primitivos (principalmente serviços noticiosos) que não disponibilizam o RSS.
No campo da Microsoft os acontecimentos resumem-se a duas coisas (podiam ser 3, eventualmente, com o “novo” Office). O Vista, essa grande inovação da Microsoft, o sistema operativo do futuro, super seguro, cheio de novidades e incrivelmente um sistema operativo não muito exigente a nÃvel de hardware, como se quer … ![]()
Depois o Internet Explorer 7. Prometeu muito, fez-se um grande alarido, mas para não variar, é um flop. Sei que ainda é cedo para tirar esta conclusão (será mesmo?) mas mais uma vez se aplica a teoria do utilizador comum. “Internet explorer 7? O que é isso? O meu windows já vem com uma coisa que dá para ir ao HI5!” …
… Talvez com um empurrão do Vista a coisa vá ao sÃtio, mas só mesmo desse modo.
A Apple decidiu deixar-se de elitismos (o maior deles todos) e adoptar a plataforma Intel. Como era mais que óbvio, o sucesso está aÃ. Aliados a uma estratégia de marketing no mÃnimo extremamente “agressiva” (não há programa ou filme na televisão onde não apareça o belo do Mac) estão a conquistar uma grande fatia do mercado, e até em Portugal a coisa está a vender como pipocas (expressão que já vi por aÃ). No campo do Ipod continua tudo igual, e já ninguém se lembra de um leitor multimédia que alguém lançou recentemente, de seu nome Zune …
A Google chegou a um ponto em que já não há limites para estourar dinheiro (compra do youtube) e deram a entender a toda a gente que basta eles quererem comprar uma coisa para o negócio estar concluÃdo. Quando os fundos são virtualmente ilimitados, a coisa pode dar para o torto, mas eles estão a saber conquistar, como não quer a coisa, um mercado absolutamente descomunal. Falando de monopolismos …
Foi também o ano do AJAX e da WEB2.0 (o que quer que isso seja) e o boom dos serviços “sociais”. Flickr e delicious são os grandes vencedores de 2006, de longe. E notem, ambos os serviços são gratuitos (com o Flickr a ter um gigantesco sucesso com as contas pagas). E já agora, para contrariar o parágrafo anterior, são ambos da Yahoo
.
2006 foi também um ano de afirmação dos blogs. As estatÃsticas estão no technorati, e não mentem. Os blogs vieram para ficar. Foi também o ano do boom do wordpress, com a sua vertente de alojamento de blogs a ter enorme sucesso.
Por cá, a Sapo decidiu atacar os serviços sociais, e lançou-se nos blogs, no sapo tags, nos vÃdeos e nas fotos. Há quem diga que não é inovação, que se limitam a copiar coisas já feitas, etc … Confesso que inicialmente me fez alguma confusão, mas vendo bem, porque não? O público do sapo não são os geeks, é o utilizador comum (é a minha ideia), e o utilizador comum prefere ter as coisas na lÃngua materna. E depois eles têm um enorme leque de clientes adsl (isso é que eu não sei porquê
) e acho natural que lancem estes serviços. Para quem diz que a Sapo só anda a copiar, eu digo INICIATIVA, coisa rara pelas terras de D. Afonso Henriques.
A nÃvel de desenvolvimento web notou-se uma maior preocupação com os standards (o Firefox contribuiu e de que maneira para isso) e notou-se sobretudo uma indiferença quase total para com o Flash (finalmente) no campo do desenvolvimento de websites. Até a Microsoft apelou para que se respeitassem os standards, imaginem lá, e para que se deixassem de usar “css hacks”.
Por fim, e sabendo que podia estar para aqui a escrever um testamento, vou falar do Linux (ou GNU/Linux, é como quiserem, é-me igual ao cubo). Foi o ano em que adoptei de vez o Linux, foi o ano em que só tenho uma partição de 20 gigas com o windows no laptop para aquelas coisas que ainda não dá mesmo para fazer no outro lado, e o ano em que compreendi toda a ideologia e a potencialidade do Linux. Passo dias a fio sem entrar na partição de windows, faço tudo o que tenho a fazer, no dia a dia, em Linux, e posso afirmar, com orgulho, que já não sou noob nenhum e que já me entendo perfeitamente com isto. Comecei com o Ubuntu (por onde toda a gente deveria começar, na minha ideia), e depois “avancei” para o Fedora. Não que seja muito diferente, mas aprendi bastante desde que mudei para este lado (não é tudo tão simples como no Ubuntu). Claro que vai haver quem pense “yeahh, grande avanço … se se queria gabar avançava para gentoo, ou slackware, ou outra do género” … Agora a sério, acham que alguém tem pachorra para compilar um kernel de cada vez que se quer instalar alguma coisa nova, que alguém tem tempo para uma instalação que pode demorar dias (literalmente)? Eu não tenho, e nem quero ter.
Eu afirmo-me como utilizador Linux no Desktop. Sei que ainda há muito a fazer para o Linux entrar definitivamente na área do Desktop, e sei também que faz alguma comichão a muitos nerds quando se lhes diz que o Linux pode, de facto, ser uma alternativa viável para o mundo dos desktops. Nunca entendi muito bem essas ideologias idiotas, nem vou perder mais tempo com isso. O grande passo que seria necessário para o desktop? Ou eu sou muito parvo, ou está mais que visto que um ÙNICO sistema de pacotes (porque não o autopackage) seria a solução. O windows tem isso, o Mac tem isso, porque raio o Linux não pode ter? Por causa dos nerds idiotas, claro está … Ainda não entenderam que o Linux deveria tomar dois rumos muito distintos. Os servidores e o desktop. Enquanto estas duas coisas estiverem misturadas, isto não avança … Get it?
Pronto, não escrevo mais nada. Para quem se aventurou a ler isto até ao fim, muito obrigado pela atenção.








boa retrospectiva.
e.. não precisas agradecer, sempre às ordens!
Bom palrreamento =)
Desculpa lá: pequena retrospectiva? Pequena? Tens que alterar esse tÃtulo, é publicidade enganosa.
Sem brincadeiras, está bastante boa a tua visão do ano anterior.
[i]Comecei com o Ubuntu (por onde toda a gente deveria começar, na minha ideia), e depois “avancei†para o Fedora.[/i]
One more happy costumer.
Foi um bom ano. Acho que de facto o sapo é o vencedor em Portugal e, lá fora tens o Google a (querer) papar tudo e o Yahoo! a fazer menos coisas mais bem feitas.
@José: publicidade enganosa, sem dúvida. Sou um publicitário por excelência
@vd: as happy as it can get
@sérgio: yahoo, de facto, faz as coisas bem feitas (ou melhor, faz boas compras)
Quer dizer..uma das mais-valias da apple há uns tempos atrás era o PowerPC..só não continou porque a evolução desses processores estava a ficar muito para trás em relação aos outros..
@Isa: mais valia, de à tres ou 4 anos para trás. Estava mais que provado que os processadores eram inferiores aos Intel e AMD daà para a frente, se bem que nunca tenha sido uma opinião consensual …
Mesmo sabendo disso, quando em 2005 saiu a notÃcia que a apple ia mesmo mudar os processadores para Intel, houve muita gente que não gostou mesmo nada da ideia (pessoalmente, recebi bem a notÃcia, até cheguei a fazer um post sobre isso)..
Só quando sairam as primeiras máquinas com intel, e depois de se ter visto o seu funcionamento é que a malta ficou realmente convencida, e agora já todos querem é macs com intel inside, já já pouco se fala no outro..
Muito bom post, gostei bastante de o ler (só li por alto o ultimo paragrafo de linux que não percebo nd disso
) realmente houve um boom do RSS, que só agora me juntei a eles (ou voces), que é muito util para saber as actualizações, continuo a gostar de ir ler nos posts, mas assim já sei aonde houve ceninhas novas.
Quanto à cena da microsoft apelar para os standards… mesmo assim, com os IEs não dá para ‘apelar’ muito, só um bocadito com o 7, mas mesmo assim.. hacks :/
@isa: uma mudança tão brusca claro que tinha que ser controversa, e então tendo em conta que se trata da Apple (os mac fanboys é do pessoal mais fanático que pode haver) a coisa foi ainda pior. Mas é como dizes. Depois de sair o primeiro Mac Intel, as vozes calaram-se
@Margarida: quanto ao linux, estás desculpada
Quanto aos hacks, lá têm que se continuar a usar, aqui e acolá, que o nosso amigo ie não facilita …
Epah varias coisas que me puseste aqui a magicar:
1 – Começa a ser “cool” dizer que o google é a proxima microsoft.
2 – Qual o mal do Debian? Até os gestores de pacotes em RPM começam a copiar o apt-get, a sua simplicidade e a forma como podes simplesmente dizer ao computador “quero instalar o programa x” sem te preocupares se tens o .net instalado ou o que raios tiver que ser.
É que o Windows, ao contrario do que dizes, NÃO TEM um sistema de pacotes unico. O Windows nem sequer tem um sistema de pacotes, unica e exclusivamente envias programas executaveis para outras pessoas que elas vão ter de correr para colocar ficheiros nos sitios certos sem tu nunca saberes como. Se alguém não vê os problemas de segurança aqui vou ali e já venho!
Mas obviamente tenho de concordar com muito do que disseste: o que raios é a web 2.0? Porque é que é tão “cool” criticar o sapo? Eles que até têm feito um trabalho de muita qualidade neste ultimo ano (antes disso já é outra historia).
Quanto ao IE7 só tem um problema: o facto de há muito no mundo as pessoas descuidarem os updates o que leva a estas situações em que o update até é importante mas como só é importante para os “cromos” que trabalham em computadores e a pessoa normal não percebe onde está a grande novidade… Ainda se a Microsoft tivesse feito como até hoje e NÃO tivesse alterado (estupidamente a meu ver) o interface e lançasse o update no Windows Update duvido muito que existiram pessoas a recusar-se a actualizar (como as há agora no mundo empresarial). É que mudanças radicais de interface podem ser muito bonitas mas se não forem bem pensadas causam mais males do que bem. Um exemplo de uma mudança estranhamente bem feita é o Office… Como pode dentro da Microsoft existirem disparidades tão grandes entre equipas é que eu já não entendo.
A Web 2.0 é simplesmente a Web Social.
Faz assim tanta confusão dar um “nickname” a uma tendência destes tempos?
Não expilicam, uma pessoa não adivinha
@Margarida: essa teve muita piada
@Dextro: eu não falei em debian, não falei em Fedora, não falei em nada em concreto. Falei que independentemente de teres fedora ou debian ou outra distro qualquer, vás ao site de um qualquer programa e tenhas disponÃvel esse memso software para qualquer distro, num formato universal, não uma versão para cada distro. E é algo que já está finalmente a ser levado a sério. E é algo que é MESMO necessário.
E a Google não é a próxima microsoft, porque não tem produtos de merda, que são impingidos ás pessoas. É muito diferente. Mas não deixa de ser um pequeno monopólio … E monopólio não tem que ter uma conotação negativa …
@Cláudio: podes ver a web2.0 dessa perspectiva, sim. Até porque eu falei em web2.0 e depois falei na web social
“E a Google não é a próxima microsoft, porque não tem produtos de merda, que são impingidos ás pessoas.”
LOL muito bem dito \m/
LOOOL gostei dessa dos produtos
hum… então afinal eu sou cool ou não? Também acho que o Sapo tem feito um excelente trabalho (not cool) e acho que o Google se está a transformar na próxima microsoft (cool)
lol. decidi usar o ietabs para ver qual o browser que aparece aà nos comment e não é mesmo que é o IE?
@Sergio:
Rui: a história do RSS, e do utilizador tÃpico não querer saber dessas coisas… acho que aà não estás a ver bem a coisa. É como outros exemplos: o utilizador tÃpico não quer saber o que é o SMTP, mas o que é certo é que o usa. Não sabe, nem tem de saber, as entranhas do HTTP, mas usa um browser. Não sabe nada de GSM, GPRS, UMTS, etc., mas usa um telemóvel. O RSS, eventualmente, será mais um desses casos. Não são só “geeks” que o usam / usarão.
De resto, óptima retrospectiva.
Outra coisa: em relação aos Macs com Intel… eu compreendo que isso traga vantagens para a Apple em termos de custo / benefÃcio, mas em termos de sucesso… não estou mesmo a ver. Será que havia alguém que antes não considerava sequer comprar um Mac, mas agora “ah, se é Intel, já quero”?
em relação aos MacIntel o que é certo é que eu na altura também apedrejei a situação, aquando do anúncio a AMD tinha processadores superiores à Intel. não estava a imaginar um Power Mac por exemplo com um Pentium4 lá dentro..
os Core Duo e principalmente os Core 2 Duo vieram trazer todo o sentido à união.
@Pedro: é ver as estatÃsticas. Claro que não foi somente a mudança de plataforma. Eles estão a atacar forte, muito forte, na publicidade. Mas que estão a ganhar uma enorme fatia do mercado isso estão …
Apenas um breve comentário à suposta indiferença relativamente ao Flash: diria que não foi bem assim, aliás só a nÃvel de video a adopção do formato FLV foi tremenda, basta olhares para qualquer site de partilha de video (youtube, metacafe, etc, etc). Para além disso foi lançada a v3 do Actionscript com aumentos consideráveis de performance, e a doação do motor ECMA à Mozilla para implementação de uma renovada (e muito mais rápida) VM Javascript no Firefox. Simultâneamente foi lançado o Flex2, baseado em tecnologia OpenSource (Eclipse) e o compilador foi oferecido free of charge. Para breve espera-se a introdução da plataforma Apolo, que permitirá desenvolver aplicações multi-plataforma para o desktop, que inclui não só o flash-player mas também um componente browser (baseado no webkit), e será também free.
@rob: eu falei do flash no campo do desenvolvimento (estruturação) de websites. Houve uns anos que era moda fazer um site todo em flash, cheio de animações e o camandro, que, como se sabe, a nÃvel de acessibilidade dá no que dá … De resto, o flash está muito bem e recomenda-se, obviamente.