A questão do aborto
Já muita gente divulgou nos seus blogs a sua preferência de voto. Eu prometi a mim mesmo que nem sequer ia mencionar tal coisa, para não atrair pessoas idiotas com ideias idiotas ao blog, mas depois de ter passado os 2 ou 3 últimos dias a “discutir” vivamente esta questão com as pessoas mais chegadas, e depois de muito pensar, cheguei a uma conclusão, por sinal, contrária à minha primeira ideia: vou votar NÃO.
Primeiro, vou só dizer que acho verdadeiramente ridículas as campanhas da maioria dos apoiantes do não. Medonhas, mesmo. Não consigo concordar com 95 % do que eles dizem. Pelo contrário, revejo-me nos ideais de muitos apoiantes do sim.
Mas aqui a questão não são os ideias. O que está em causa é o que vai acontecer. Se o referendo fosse para votar pela abolição das penas de prisão para quem pratica abortos, seria totalmente a favor (aqui posso parecer contraditório, mas acho que teria que se arranjar outras soluções). Agora liberalização do aborto? Em Portugal? Mas será que ninguém aprendeu nada com os dados da pílula contraceptiva? Era uma ideia muito gira, mas o que é verdade é que está a ser usada como método contraceptivo, e não somente em última necessidade.
O meu ponto é que não há condições para haver liberalização do aborto em Portugal. O aborto vai passar a ser um método contraceptivo (podem apontar o que estou a escrever) e vai passar a fazer-se um aborto como quem vai ao dentista. A mentalidade das pessoas é o que é, não se muda com um referendo, e como sou totalmente contra a banalização da questão, vou votar não.
Ps: se este referendo fosse realizado num país civilizado eu votava sim, sem a menor sombra de dúvida, mas dado o país em que vivemos não ficaria bem com a minha consciência …
Update: se só leu o artigo agora, aconselho a ler todos os comentários abaixo.








Tendo em conta o que já todos sabemos sobre o aborto, achas que ninguém consciencia das complicações que um aborto pode ter, mesmo no Hospital?
E faz sentido despenalizar se for para continuar a fazer em vãos de escada e a por em risco a vida da mulher?
A verdade é que não há previsões certas do que vai acontecer, não sabemos. A verdade é que os “números oficiais” vão aumentar, apenas porque não sabemos quantos ilegais existem. Vamos passar a saber provavelmente que a vizinha o fez porque conhecemos alguém no Hospital, porque caso fosse ilegal ela não ia a um Hospital.
Achas mesmo que as raparigas vão começar a desejar fazer abortos invés de tomar a pilula?
O aborto é um acto de desespero, não é propriamente algo planeado.
Concordo com quase tudo o que disses-te, Cláudio, mas o problema mantém-se.
Eu não disse que era contra a questão, eu disse que não há condições no país para isto acontecer. É diferente. Primeiro tinha que haver condições, e teria que haver uma mudança muito grande na mentalidade das pessoas.
Se acho que as raparigas vão começar a fazer aborto em vez de tomar a pílula? Não … Se acho que em vez de terem mil e um cuidados se vão começar a desleixar, e se acontecer alguma coisa “sempre posso ir fazer um aborto …”? Sim. E aí é que está o problema.
E não há previsão? Directa não, obviamente, mas há o caso da pílula do dia seguinte, que está a ser usada para tudo e mais alguma coisa, mesmo sabendo(?) as pessoas dos riscos que isso implica. São factos. Em Portugal, estendes a mão, e levam-te o braço logo atrás … As pessoas abusam, não pensam. É só por isso que, neste momento, vou votar não.
Queres um exemplo do que estou a dizer? Já andam por aí a reclamar que o aborto, no caso de ser liberalizado, deveria ser comparticipado pelo estado. É disto que eu falo. Deste abuso … Então agora andávamos a pagar impostos para comparticipar os abortos … yeahhh …
Concordo com o Cláudio e acrescento mais um ponto, dado por um dos participantes no programa Prós e Contras da RTP. O interveniente disse:
“o SIM nã impõem nenhuma vontade aos defensores do NÃO. Já o NÃO impõem uma vontade aos defensores do SIM”
Acho que é isto que temos de ver, a democracia ou não de uma escolha. Quem vota sim não vai logo a seguir fazer abortos, apenas porque pode. É, como diz o Cládio, e bem, um acto de desespero.
Acima de tudo o que possa ser dito acho este referendo o maior acto de cobardia governamental de que tenho memória. É impensável uma maioria absoluta, que é maioritariamente a favor do SIM, colocar isto a referendo, num acto de :”deixa cá arranjar uma maneira de despachar isto sem ficarem com má imagem nossa”.
Como se depreende do comentário, eu voto SIM.
Mas isto é a minha opinião. Respeito todas as outras.
Rui também entendo o que dizes, mas achas que por prevermos que a coisa vai correr mal, as mulheres que realmente precisam devem continuar a recorrer a métodos de risco?
E isso dos impostos não pega, ou também queres que pegue nos impostos que pago para que os fumadores curem cancros devido ao tabaco, ou mesmo a bêbados com fígados estragos? Ou subsidios de incapacidade por aceleras na estrada?
Os impostos não são razão, porque se forem há muitos outros casos em que também são razão para haver polémica.
já tive a mesma opinião que tu Rui. de certa forma compreendo bastante bem o teu ponto de vista.
mas eu comecei por defender o não e agora tenho toda a certeza que vou votar sim.
mas eu recebi uma “terapia de choque” uma vez que fui confrontado com a realidade do aborto clandestino, foi-me contado em discurso directo.. e a última coisa que posso é pactuar para que o mesmo continue a acontecer.
Rui, aborto livre já existe hoje, seja numa clínica ilegal, seja num vão de escada, ou numa garagem sem condições. Aí, praticam de forma desumana, e perigosa para a mulher, o aborto clandestino.
Se o “sim” ganhar, qualquer mulher poderá recorrer ao Serviço Nacional de Saúde onde, para além de um obstetra, será acompanhada por uma equipa de psicólogos que adequarão a sua atitude ao carácter importante e grave do que é fazer um aborto.
Mas, mais importante, não terá o receio de se dirigir a uma clínica ou a um hospital e pedir mais conselhos. Toda a informação estará acessível e disponível para todos. Todo o processo será claro e transparente. Sem medos.
Depois de ponderado e de muito bem pensado, cabe então a ela decidir se quer ou não abortar.
Rui, se o aborto custar 500 euros ou mais (e estamos em Portugal, podes crer que custará mais), duvido que as miúdas passem a fazer abortos como quem vai ao dentista…
Rui, Assino por baixo tudo o que tu dizes.
e acrescento: Eu voto não, porque não concordo que se mude a lei para que se continue a prender as mulheres que abortam em estabelecimentos de saúde não autorizados ou que abortam às 10 semanas e um dia.
Já agora, Rui: eu sei que provavelmente não te vou fazer mudar de ideias, mas pensa numa questão: uns não têm o direito de impôr a sua moralidade aos outros. Ao votares “não”, estás a fazer exactamente isso.
Eu também prefiro que os meus impostos sirvam para pagar os processos em tribunal, investigações criminais, etc. /sarcasmo
@karma: Mas é o que vai acontecer relativamente aos abortos realizados após as 10 semanas. Por isso não sejamos hipócritas, o Sim não vai resolver problema nenhum.
Sérgio: porquê esse ênfase no “após as 10 semanas, continua a ser ilegal”? Bem antes disso, uma mulher já saberá se está grávida…
Se o “sim” ganhar, resolve o problema principal, sim. Quem engravide por alguma razão e tenha o juízo suficiente para saber que não pode ser uma boa mãe, pode assim evitar condenar um novo ser vivo a uma vida de sofrimento. E pode fazê-lo legalmente, e sem humilhação. É esse o problema a resolver.
Aliás, mesmo o limite proposto das 10 semanas existe mais como uma cedência às mentalidades mais conservadoras do que como algo lógico…
Leiam isto
Bom pelo menos não estamos perante uma discussão idiota
Existe pensamento por trás das opiniões, e acima de tudo rspeito pela opinião de outrem. Mas não era de esperar outra coisa dado o nível visionado neste forum desde a sua criação – parabéns Muja e a todos.
Quanto à questão em si, eu votarei SIM, mesmo sabendo da mentalidade do nosso país e não acreditando na possibilidade do bem amnhã dentista depois aborto.
)
A maioria está ciente dos custos associados a um aborto, físicos e psicológicos (se não estava com a injecção da campanha ficaram) e não acredito que se torne práctica generalizada.
E deixamos de ter a criminalização da praticante.
OK tudo o resto temos de wait and see, pois necessita que sejam criadas as condições de acompanhamento.
@Sérgio – sim por isso é curta a lei, mas mais vale esta para começar que a anterior
(Boss sorry o size
Viva,
Eu vou votar SIM, devido a que sei, se que o não ganhar vai continuar tudo na mesma, ou seja vão continuar a haver abortos.
E tenho a convicção que se o SIM ganhar, vai haver uma diminuição dos abortos. Porque? Devido que desde forma as pessoas vão ser acompanhadas durante a fase do aborto, e sensibilizadas para o que estão a fazer, e sobre as coisas más (e boas) do que estão a fazer. E com isto fazer o aborto caso não haja outra alternativa.
Se o não ganhar, vai tudo continuar como está desde a ultima votação, já que nada foi alterado desde então. As mulheres que querem abortar, não dizem a ninguém, não tem acompanhamento, e vão às pessoas que fazem abortos ilegais, estas não vão explicar os dois lados.
Eu não apoio o Aborto, e nós não temos de ver isto como uma medida BOA e outra MÁ. São as duas más, mas uma menos do que outra.
O ideal para mim, era o estado dar 1000€ à família por cada filho. E melhorar o processo de adopção. Entre outras medidas, mas sei que não é possível e por isso vou votar SIM.
Simplesmente porque não quero que continue como está. Não ao aborto clandestino, não à falta de acompanhamento medico, não ao aproveitamento das pessoas que fazem o aborto, não aos maus tratos de crianças devido a um nascimento indesejado, e infelizmente sim ao aborto até as 10 semanas, para os pobres, visto que para os ricos é fácil irem à Espanha faze-lo.
@Marco, é possível sim e tal como o Rui, acho que não se deve liberalizar enquanto não se der a alternativa à mulher de poder ter o filho, porque se não, as mulheres não vão abortar de livre vontade, mas sim porque não têm opções. enquanto se continuarem a despedir mulheres por engravidarem, a não apoiar as mulheres na maternidade como é que podes falar de uma decisão em consciência?
>Mas será que ninguém aprendeu nada com os >dados da pílula contraceptiva? Era uma >ideia muito gira, mas o que é verdade é >que está a ser usada como método >contraceptivo, e não somente em última >necessidade.
Mas é exactamente o contrário, a pílula do dia seguinte não precisas de acompanhamento médico. Basta ires à farmácia.
Agora se o o SIM ganhar, vai passar a haver informação e sensibilização das mulheres para os dois lados, e eu acredito que isto vai baixar os abortos.
Já que assim, e unicamente assim as mulheres vão ouvir razões para não abortar.
@Sérgio Rebelo devido a isso mesmo que tu disseste é que apoio o SIM, porque caso ouve-se 100% de apoio para as mulheres que têm filhos, ai sim votava NÃO, já que não havia razão para o fazer.
Mas como sei que isto é uma ideia irrealista então, acho que a medida menos má é votar SIM.
“Ps: se este referendo fosse realizado num país civilizado eu votava sim, sem a menor sombra de dúvida, mas dado o país em que vivemos não ficaria bem com a minha consciência … ”
O país é feito pelas suas pessoas, se achas que pertences a uma minoria, ou seja, que és civilizado, muda para um país que tu aches que seja civilizado. Porque os problemas que se estão a tentar resolver são deste país e não de outro.
Num país de tachos e de taxas, o Governo vai aproveitar a vitória do SIM para taxar os abortos realizados em clínicas privadas.
Vai portanto ser mais uma fonte de receitas.
Prevejo por isso que o preço dos abortos praticado por essas clínicas, seja ligeiramente inflaccionado.
E desconfio que as pessoas irão optar por essas clínicas privadas, pois pelo estado o processo será mais burocrático e selectivo.
Mas é claro que isto não é razão para votar NÃO, ou mesmo para votar SIM, sei lá.
Olhem, quer vença um ou outro, nós que comentámos aqui vamos continuar a não poder abortar.
Vamos lá a uma sessão de respostas:
@Tiago: compreendo perfeitamente que ao se ter conhecimento de causa a opinião possa mudar …
@Paulo: ” … não terá o receio de se dirigir a uma clínica ou a um hospital e pedir mais conselhos …”
Isso seria o ideal, e estou totalmente de acordo, mas não é assim que acontece, e daí a minha opção. É precisamente por isso não acontecer …
@Pedro Timóteo: repara, eu não pretendo impôr nada a ninguém … o que se passa é que me sentiria mal, com a minha consciência, se eu vota-se sim e depois assisti-se a casos de total banalização do aborto. Espero, sinceramente, que tal não aconteça.
@karma_police: não vamos desviar a conversa, ok? Eu peguei no exemplo dos impostos precisamente como um exemplo, e não se fala mais nisso, que estou farto de ver discussões sobre o aborto a acabarem em conversas sobre lagares de azeite …
@Sérgio Rebelo: a questão das 10 semanas é, a meu ver, e como disse o Pedro Timóteo, uma barreira psicológica para calar conservadorismos. Mas isso levava-nos para outra discussão, para a qual não me sinto devidamente informado, que é o que se entende por vida ou não. Algo sempre muito discutível …
@Vlad: amigo Vlad, podes aqui escrever um testamento que não pagas mais por isso, e além de mais prezo o respeito de todas as opiniões, e a primeira vez que acontecer o desrespeito pela opinião de alguém (já aconteceu anteriormente) recebe um aviso e o comentário será apagado
@Marco Sousa: eu também tenho a noção que o SIM vai ganhar, mas não ficaria bem com a minha consciência se o meu voto fosse esse …
@marco: de certeza que les-te tudo o que aqui foi escrito? Ou só estás a referir o que te interessava para mandares um comentário tão pouco inteligente como o que fizes-te? É que se foi isso, parabéns, passas-te no teste de idiotice … Ou então não percebes-te mesmo o que eu escrevi.
@Armas: é pena a minha “audiência” não ter grande peso no sexo feminino, mas quanto a isso não posso fazer nada
.
Acrescento só que nestes últimos dias todas as conversas que tive acerca do aborto foram tidas maioritariamente com mulheres …
Já repararam que só homens estão a fazer comentários aqui…
Algum de nós se pode por na pele de uma mulher que vai praticar um aborto (clandestino, ou não)..
Eu tento imaginar o que vai na cabeça da mulher que vai fazer um aborto.. O sentimento que vai durar toda a sua vida, ao saber que fez um aborto…
Depois tento ver as diferenças entre a mulher que tem que fazer um aborto clandestino.. as preocupações, já que tudo é obscuro, a mulher não sabe para o que vai.. e entre um que é tudo as claras, sabe o que vai passar, sabe como vai passar, e sabe que vai ter acompanhamento…
Quanto os comentários de que as mulheres vão se descuidar de tomar outras preocupações contraceptivas.. bem, eu por acaso até tenho uma conhecida que teve que recorrer a um aborto, e só por causa disso quase ficou sem puder engravidar..
Eu acho que um aborto não é uma coisa que as mulheres vão querer.. E penso que se este referendo passar vai haver muita informação sobre o aborto..
Os que pensam que se deve atacar mais na parte da informação nas escolas, etc. etc.
Acho que o que temos até agora chega para ver.. quantas campanhas já foram realizadas.. até já aulas parece haver sobre sexualidade.. e resolveu o problema?? Maternidade infantil, famílias carenciadas sem cuidados.. isto ninguém vai mudar.. Se calhar depois de recorrerem ao aborto talvez estas pessoas ganhem consciência..
Eu vou votar Sim, e peço desculpa por esta ultima parte, talvez dura demais…
Eu, se tivesse idade para votar, votaria não.
Concordo com o que disse-te Rui.
“Já repararam que só homens estão a fazer comentários aqui…
Algum de nós se pode por na pele de uma mulher que vai praticar um aborto (clandestino, ou não)..”
Sim nenhum de nós pode estar na pela de uma mulher, mas o homem tem o direito a comentar e a dar a sua palavra, afinal a criança não se forma sozinha…
Acho que ao legalizar o aborto, traduz uma facilidade na realização, e as mulheres (principalmente as mais jovens) irão “aderir” como se fosse um método contraceptivo…
Afinal, que outras coisas podem acontecer para além da “irresponsabilidade” das mulheres (e/ou homens). As outras situações para um possível aborto (perigo de vida, violação e má formação do feto) já estão previstas na lei… Afinal para que existem os métodos contraceptivos? E justifica-se, com os métodos actuais, legalizar o aborto com base no que alguns dizem de não serem “100% eficazes”? Então são quê? 99,99%?
Estas são as minhas razões, mas não sou eu que vou votar por isso…
A parte da violação então é linda.
Mas acham mesmo que todas as raparigas que foram violadas (seja de forma mais directa ou não) têm logo coragem para ir ao hospital dizer que o foram?
Ou que foram enganadas por um gajo que dizia repetidamente “não te preocupes eu aguento”?
Ou que estavam apenas aos beijos com o vizinho do lado e ele forçou?
Acham mesmo que todas têm coragem para dizer que fizeram sexo forçado?
Acham?
visitem:Editado:
Link removido. Por favor, se quer acrescentar alguma coisa à discussão, está à vontade, e aí depois poderá meter um link que ache que acrescenta alguma coisa.
@Pantera: lamento, mas os comentários são para dar opiniões e para comentar o artigo em causa. Poderá depois fazer o link que quiser …
@Cláudio: isso não será, de todo, uma situação fácil … Nem sequer gostaria de estar a falar nisso, porque só quem passa por isso é que sabe o que custa, mas agora ou depois, nesse caso concreto, a mulher em causa terá que dizer porque quer fazer o aborto, seja ou não legal fazer abortos exceptuando os tais casos.
Ou melhor, terá que ser assim … E espero sinceramente que o seja. Não sou nenhum “monstro”, que esteja a pactuar com situações miseráveis como algumas que se vivem actualmente. Só acho que se vai banalizar a questão sem que haja preparação e informação para dar este passo.
Então, não admitem que foram violadas, pedem logo para fazer o aborto “saltando” essa parte?
Acredito que não tenham coragem, mas essas situações existem e são para ser denunciadas, por isso é que existem leis para isso…
Não é por acaso que existe legislação para estes casos, simplesmente porque são delicados. Mas entendo o que queres dizer, e não imagino como será.
Esse serviço de futurismo que prestas é cobrado?
Portugal é atrasado porque tem as leis que tem e porque as pessoas preferem queixar-se (como tu) a fazer algo no sentido de as mudar.
Acho que Espanha não será tão diferente de nós assim. Lê se quiseres abrir horizontes:
“Does the liberalization of abortion laws increase the number of abortions? The case study of Spain”
http://eurpub.oxfordjournals.org/cgi/content/abstract/11/2/190
Para o Sérgio Rebelo:
Foram instituidas as 10 semanas porque cerca de 75% dos abortos ocorrem até essa altura. É um compromisso, como qualquer outro. Ou estranhas o facto de ser multado quando andas a 121Km/h?
O SIM é um passo no sentido da resolução. O NÃO é apenas um manter da situação. O SIM pretende tirar o aborto da esfera criminal e enquadra-lo na esfera médica.
O SIM permite o NÃO. O NÃO bloqueia o SIM.
“Isso seria o ideal, e estou totalmente de acordo, mas não é assim que acontece, e daí a minha opção. É precisamente por isso não acontecer …”
Mas actualmente não acontece porque as mulheres têm medo de serem perseguidas criminalmente. Se hoje ela for a um hospital ou a uma clínica pedir mais informações, arrisca-se a ser denunciada e, por conseguinte, toda a sua vida privada ser vasculhada e humilhada em praça pública. Para não falar dos testes ginecológicos que se tem de submeter e da vergonha que é, ir para o tribunal e falar da sua sexualidade.
Se o “sim” ganhar, isso já não acontece. Porque todas as informações estão disponíveis e acessíveis a todos. E, provavelmente, muitas mulheres até vão reconsiderar em fazer ou não o aborto.
Eu posso concordar com andar a 140km/h na autoestrada.
O concordar a andar a 140km/h na autoestrada permite andar a 120km/h.
O não concordar, bloqueia o andar a 140km/h.
O meu ponto de vista aqui é que não se pode ir por essas coisas de um bloquear o outro.
Quanto ao atraso de Portugal, esta lei não tem nada a ver com o atraso e muito menos este post… Ou já não se pode comentar em Portugal? Será que ainda estás assim tão atrasado?
Depois de ler este post só me apetece gritar : “Educação Sexual nas escolas JÁ!”
”
Depois de ler este post só me apetece gritar : “Educação Sexual nas escolas JÁ!”
”
Aí é que deveria ser a aposta…
“Mais vale prevenir que remediar”. Sempre ouvi isto, e sempre esteve correcto
Ao último comentário do JR: o número de abortos não está tão relacionado com o nível de educação como se pensa. O estudo realizado em Portugal demonstra isso. O aborto ocorre, de forma igual, em todas as classes sociais.
http://www.apf.pt/activ/situacao_aborto.htm
Por outro lado seria de esperar que o aborto fosse muito menor nos países nordicos (maiores taxas de afabetização) – tal não acontece.
A educação deve ser uma aposta em conjunto com a despenalização. Não são soluções exclusivas.
@Sérgio: “A educação deve ser uma aposta em conjunto com a despenalização. Não são soluções exclusivas.”
Mas eu não poderia concordar mais com isso … O problema é que não há educação sexual, entre muitas outras coisas que seria necessário melhorar para estarem criadas as condições para o SIM.
@carlos: “Depois de ler este post só me apetece gritar : “Educação Sexual nas escolas JÁ!””
Engraçado como estamos de acordo, mesmo não sendo essa a sua ideia. Quanto ao segundo post agradecia que se mantive-se no assunto, por isso foi apagado …
“Mas eu não poderia concordar mais com isso … O problema é que não há educação sexual, entre muitas outras coisas que seria necessário melhorar para estarem criadas as condições para o SIM.”
Como disse antes, não é linear a relação entre mais educação e menos abortos. Vê pf o estudo da APF – é um powerpoint que se consulta facilmente.
Sérgio, claro que não é linear, nem estou a tentar dizer que tem relação directa, mas acho (e é a milésima vez que o digo) que não estão reunidas as mínimas condições no país para dar um passo tão importante como o que vai ser dado (porque o SIM vai ganhar …), e a educação sexual seria uma boa base por onde começar (solução a longo prazo, obviamente, e teriam que ser encontradas outras soluções mais imediatas, por agora)
Provavelmente não ligas muito a estudos científicos mas fica aqui mais um:
http://www.ccguide.org.uk/holland.html
“The result of the Dutch experiment was to see that whilst the number of cannabis users initially increased it soon levelled off in about 1983. The use of hard drugs did not increase as fast in Holland as it did in neighbouring countries such as France, Germany and the UK.”
Há muitos estudos que sugerem exactamente o contrário do que defendes: o aborto não aumentou em Espanha após a despenalização, o consumo de droga não aumentou na Holanda após a despenalização. Mas, como em tudo, há que ter um espirito crítico e estar disposto a mudar. Quem não quer mudar de opinião, não muda.
Porque é que não haveria de ligar a estudos científicos? Só por causa da minha opinião neste assunto? bahhhhh
E nós não estamos em Espanha, e muito menos na Holanda. Mas espero sinceramente que o estudo se reflicta em Portugal …
”
Ao último comentário do JR: o número de abortos não está tão relacionado com o nível de educação como se pensa. O estudo realizado em Portugal demonstra isso. O aborto ocorre, de forma igual, em todas as classes sociais.
”
Seja qual for o nível de educação, não se fala de educação sexual… Porque se não for falado no básico (ou mesmo no secundário) não será na universidade que será… E no básico que me lembre, falei do preservativo no 6º ano. Mais nada. Apenas uma aula sobre isso, em Formação Cívica.
Deveria ser falado muito mais na minha opinião. E deveriam haver debates e coisas assim…
Uma hora é muito pouco.
Acho que a lei prevê duas horas por ano (não tenho bem a certeza), mas estas, para além de não serem respeitadas, são, na minha opinião, pouco.
Criminalizar ou não criminalizar as mulheres? Já que este País até na adopção da despenalização do IVG é dos mais atrasados da europa, e mais perto de países assim tipo “médio oriente e áfrica” e tal, os apoiantes do não podiam era pedir que se alterasse a lei e que se passasse a apedrejar as mulheres em vez de as meter na prisão! Era até mais rapido. Assim castigava-se essas putas que só querem engravidar e abortar todos os dias, caso o SIM vença…
Já agora, o não venceu da ultima vez e o que mudou? NADA!!!!! NADA DE NADA!!!
Desculpem lá qq coisinha, mas acho uma piada de mau gosto, um homem como qualquer um de voces, querer impor a sua vontade sobre uma qualquer mulher em Portugal que não conhecem e sem fazer ideia do que é estar grávido sem o querem ou poderem. Mas querem IMPOR a vossa vontade e obrigá-la a parir ou encarcerá-la!
Primeiro, não vejo qual a necessidade de tamanha irritação, e logo não vou responder … É possível estabelecer um debate, por maior que ele seja, sem dizer asneiras nem ter reacções violentas.
Segundo, dizes que “não conhecem e sem fazer ideia do que é estar grávido sem o querem ou poderem”, mas tu, pelo contrário, pareces ser alto conhecedor da matéria. Em que ficamos?
Ou melhor … Tu lês-te, por acaso, alguma coisa do que eu disse tanto no post como nos comentários? É que se lês-te, não deves ter entendido bem …
E, para além disso, o homem (tal como eu já disse) também formou a criança…
Pode estar dentro da barriga da mulher, mas a criança foi formada por ambos!
Pelo teu comentário não fiquei a entender se és homem ou mulher. Se és homem: o bebé não se formou sozinho e se nós não entendemos, como é que tu entendes? Já tives-te um bebé na barriga?
Se és mulher: entendes que és tu a carregar o bebé até aos 9 meses, logo tens ainda uma maior responsabilidade que o homem.
Acho que o teu comentário foi exaltado, não era preciso ficares assim. Basta defenderes a tua posição como todos os outros têm defendido sem irritação
O meu ponto de vista é simples. Votas não as mulheres vão continuar a fazer abortos ilegalmente ou em Espanha ou onde poderem.
Votas sim são dadas condições para que sejam feitos em segurança e é dada uma escolha aos possíveis pais da criança, coisa que com o não, não existe.
O meu irmão vive na Suíça, e lá as notícias sobre Portugal sobre este tema, informa, como Portugal é tão conservador, devido também à >70% de católicos(praticantes e não praticantes). E como bastantes pessoas destes católicos, vota Não devido à posição da Igreja, apenas.
É óbvio que isto não é para defender uma posição, é apenas para informar o que é dito lá fora.
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Agora o eu defendo o SIM à despenalização, porque defendo isto:
-Não ao aborto clandestino
-Não aos maus tratos a crianças indesejadas, e por vezes mortes ( caso da Joana, e de outra no Porto que foi queimada e atirada ao rio,..)
-Não ao enriquecimento das pessoas que estão por de trás do aborto clandestino;
-Não à falta de acompanhamento médico;
-Não à falta de sensibilização das mulher;
-Sim ao acompanhamento médio das mulheres que querem fazer aborto;
-Sim à redução com a introdução da sensibilização da mulher para as partes boas e más de fazer um aborto;
-Sim a melhoria das condições da mulher;
-E porque sei, que se o não ganhar, vai continuar a haver abortos clandestinos, e que a lei não irá melhorar (como visto desde o último referendo sobre o tema)
Voto SIM.
Após a leitura, bastante interessante diga-se de passagem, de tudo o que aqui ficou dito, fico com a sensação de que o “foco” passou um pouco ao lado.
Assim, e muito resumidamente, a minha opinião é completamente oposta à expressa neste post. Não digo quanto ao SIM ou NÃO, ainda não decidi embora a balança penda para o SIM, mas sim a Portugal, e respectivos habitantes, não ser um país que mereça certas e determinadas coisas, tal como esta IVG.
Talvez, digo talvez porque não tenho tanta certeza como isso, o autor até tenha razão. Talvez!
Contudo, essa é uma forma muito, desculpe o termo, tacanha de ver as coisas. Se fosse por merecer, Portugal ainda estaria na pré-história. Muito já aconteceu sem que Portugal merecesse e no entanto, os portugueses sempre souberam (co) responder perante os factos assumidos.
Eventualmente, durante o processo de aculturação, caso o SIM vença, a IVG poderá ser usada como método anti-conceptivo. É normal que aconteça o importante será verificar o número, que, na minha opinião, deve ser muito reduzido. Após esta fase, penso que estes fenómenos não mais acontecerão, exceptuando algum fugidio caso.
Portanto, não é por aí que o meu sentido de voto pode ser influenciado.
PS: Para avivar a memória de alguns citaria como exemplo a adesão de Portugal à CEE, e posteriormente à União Europeia.
Fica aqui a pergunta:
-Estava Portugal, e os portugueses, preparado para esta adesão?
(ou de outra forma) – Mereceria Portugal, e os portugueses, esta adesão?
@jocaferro: antes de mais obrigado pela sua opinião, sempre importante.
Quanto ao comentário em si, espero, mas mesmo muito sinceramente, que seja verdade o que diz e que tudo corra mais ou menos bem. Sinceramente. Eu sei que deveria acreditar mais no mau país, porque tenho essa obrigação, mas simplesmente não consigo. Sou demasiado pessimista? Talvez … Mas por outro lado tenho a noção que em princípio o SIM vai vencer, e como já disse, espero mesmo que tudo corra bem, até porque só o poderia fazer, não sou nenhum monstro, e sei que se as coisas que estão a ser propostas correrem bem vai ser muito melhor para as mulheres nesta situação.
Uma das principais anomalias que vejo neste processo, e que ainda não vi ninguém a discutir, é a razão de ser deste referendo.
Porque não decide o Governo por nós?
1. Foi para isso que lá foi colocado, e esta não é uma razão que possa beliscar a soberania nacional;
2. Foram eles que inventaram a porcaria da pergunta;
3. Os estudos apontam que cerca de 38/62 %, os números variam imenso, dos abortos clandestinos atingem a faixa etária que vai até aos 18 anos. Ora, esta grande percentagem não tem voto na matéria!
O ponto 3. é muito importante. Ainda não vi ninguém a discutir isto. Se, como a pergunta indica, é por vontade da mulher porque este grande segmento não se encontra incluído?
O Governo deveria fazer o trabalho que lhes compete em vez de andar a inventar e alimentar as fogueiras que por aí andam. Enquanto andamos a discutir o “aborto”, futebol, telenovelas, “Diz que é uma espécie de magazine e as calinadas dos Ministros, não reparamos no que se passa à nossa volta!
E que não é pouco, diga-se de passagem!
Acho que o assunto é muito delicado e divide muito as opiniões (como se tem visto) por isso não podem ser os 200 e tal (?, vocês sabem melhor que eu) deputados existentes na assembleia que iriam decidir. Para além disso, a maioria pertence ao PS que apoia o sim, logo o não estava condenado logo de ínicio.
Tens razão ao dizer que não tem voto na matéria. E julgo também que tens razão ao citar esses estudos. Mas não entendi isso do “grande segmento não se encontra incluído”. No quê? Na votação? Simplesmente, não têm idade. Também não somos (digo somos, porque me incluo nos menos de 18) chamados a votar para por um partido no Governo, e também diz respeito… O Governo é de todo o país, não apenas de maiores de 18. Acho que está correcto votarem apenas a partir dos 18 anos, porque a partir dai deve ter-se mais consciência… (digo eu)
>Ora, esta grande percentagem não tem voto na matéria!
Isso não tem nada a ver. Devido que estamos em Portugal e quem decide como deve ser Portugal somos nós. E em Portugal como em quase todos países só podes ter voto na matéria se fores responsável para isso.
Só te tornas totalmente responsável a partir dos 18anos. E por tanto as leis são diferentes tanto se cometeres um crime antes dos 18, como não podes votar.
Temos de ser coerentes. A [maior parte] das pessoas com menos de 18anos, não é suficientemente capaz de decidir pesando todos os lados na balança. E nem ver o que é moralmente correcto e o que é moralmente/politicamente proibido.
Acho bem que, quem decide em Portugal são as pessoas com mais de 18anos.
E é por isso que quem é capaz de decidir tudo por essas pessoas (menos de 18anos) são as pessoas que estão responsáveis por eles.
Resumindo, se os menores não são responsabilizadores de uma coisa é porque também não são capazes de fazer um voto responsável.
>Porque não decide o Governo por nós?
Porque existem determinadas leis, que não cabe a ele decidir, mas sim aos Portugueses.
O Primeiro Ministro foi para o governo porque quisemos que fosse ele a governar Portugal. [Para fazer coisa que foi anunciado na pre-campanha]
E acho que este tipo de lei, só teria sentido através do referendo. Visto que não são politicas governativas, económicas, mas sim de moralidades.
Pode ser que um dia evoluas!
Ainda para mais tens limitador de caracteres na caixa do website, o que não me permitiu colocar o “.pt”
Eu não preciso de evoluir … Quem precisa de evoluir é o país, meu caro …
Quanto ao tamanho da caixa peço desculpa, vou rectificar isso.
Um dos termos mais latos para caracterizar a democracia é:
- Muitos escolhem uns poucos para decidir o que individualmente não é possível.
O referendo é um mecanismo de decisão final. Assim, apenas deveria ser aplicado numa situação supra-nacional, porque para decidir nacionalmente já estão lá os eleitos.
Reparem bem que não fiz qualquer apelo ao voto com idade inferior aos 18 anos. O que tentei dizer é que uma grande maioria da população propensa ao aborto ficou de fora. Esse é um factor a ter em conta, para um Governo legitimamente eleito decidir e não colocar a batata quente nas mãos do povo.
Desta forma o Governo está como Pôncio Pilatos. Prometeu o referendo, vai cumprir. Porém o resultado não interessa. Se o NÃO ganhar poderá existir algum ruído mas não passará disso pelo que os dividendos políticos não se alterarão. Se o SIM ganhar, aí sim, os dividendos políticos serão enormes.
Entretanto o país anda embalado nesta disputa e não se apercebe realmente do que se passa à volta (para o bem e para o mal, claro).
Cumprimentos a todos.
Isto devia estar fechado, devido a que se alguém postar algum post relacionado com o referendo, é ilegal. e punido com coima.