Desde que dei a entender que ia mudar-me para o mundo Mac que tenho recebido alguns emails (e mensagens privadas, no fórum techzone) a pedir-me para fazer uma review ao Macbook, e, agora que já se passou quase um mês desde que o tenho, acho que chegou a hora de meter mãos à tal review.
Nesta primeira parte (de duas) vou começar por referir o porquê de ter adquirido um Macbook.
Estava à procura de uma máquina leve, uma vez que o meu anterior “laptop” pesava qualquer coisa como 4 quilos, com o transformador. O Macbook pesa 2,3Kg, sendo que o transformador pesa pouco mais de 100 gramas, e não sendo o portátil mais leve do mundo, satisfaz as minhas necessidades de leveza na mala de transporte.
Agora que já temos um laptop leve, queremos um que tenha uma autonomia condizente com uma verdadeiro laptop. Vê-se por aí em inúmeros catálogos e sites portáteis da Toshiba, HP e Asus a preços verdadeiramente de arrasar, com hardware ao nível de um Macbook Pro, por cerca de 1100/1200 euros, todos equipados com placas gráficas de última geração, discos de 250GB e memória que nunca mais acaba, mas desligamos a ficha da corrente e é um verdadeiro milagre se aquilo aguentar 2 horas com a bateria. Podemos pegar em laptops mais pequenos, das mesmas marcas, com placas partilhadas da Intel e discos mais pequenos, sendo que tudo isto ajuda a aumentar a autonomia, e mesmo assim, se conseguirmos ter o laptop ligado com bateria cerca de 3 horas estamos perante um verdadeiro milagre. Chega ao cúmulo de termos laptops “ultra portáteis”, com 12 polegadas de monitor, com pouco mais de quilo e meio de peso, e mesmo assim não chegamos ás 4 horas de autonomia. O Macbook atinge, sem problemas, com rede wireless activa, brilho a cerca de 60% e a navegar na internet, 4 horas de autonomia, sendo que se desligarmos o wireless, ligarmos a rede por cabo e diminuirmos o brilho para cerca de 40% chegamos ás quatro horas e meia de autonomia. Isto tudo foi testado por mim, não são autonomias estimadas nem algo que li na internet ou no manual. Se desligar de todo a internet, estando a trabalhar num relatório no Pages e a ouvir uns sons no itunes cheguei praticamente ás cinco horas de autonomia, diminuindo ainda um pouco mais o brilho.
Já tenho um laptop leve (segundo os meus padrões, que não sou nenhum copinho de leite que não possa aguentar dois quilos e meio ao ombro) e um laptop que tem uma autonomia decente, também segundo os meus padrões (um portátil com menos de, digamos, 3 horas de autonomia, é patético).
Como o laptop não vai ser para jogar, muito, a placa da Intel serve perfeitamente, e por isso pomos já uma peça de lado. O processador é excelente, magnífico mesmo, e o disco, apesar de ser um pouco curto para os padrões actuais, também serve bem o propósito (nada que um disco externo, que eu já possuía, não resolva). Falta falar da memória. Os Macbook vêm com 1GB de memória, quando a grande maioria dos laptops vem com 2GB. Se em relação aos outros os 2GB sejam devidos obviamente ao aparecimento do Windows Vista, no caso do Macbook 1GB chega e sobra, para uma utilização normal (processamento de texto, navegar na internet, ouvir umas músicas, ver uns filmes, editar umas fotos e uns vídeos caseiros). Para avançar um pouco mais (ou bastante mais, no meu caso) na área do vídeo e de processamento de imagem mais pesado, torna-se necessário meter pelo menos mais 1GB (na verdade, como os Macbook vêm com dois sticks de 512MB de RAM, para termos o sistema mais estável o ideal é meter dois sticks de 1GB, ou aproveitando a nova plataforma Santa Rosa, podemos logo meter 2×2GB de RAM e ficamos com memória para dar e vender).
Falta falar do monitor e do chassis. O monitor é glossy, algo que não é do agrado de toda a gente, principalmente dos mais exigentes a nível de fiabilidade de cores, mas comparando o monitor do meu Macbook com monitores de laptops da HP ou da Toshiba (e da Acer) cheguei à conclusão que o monitor tem um tratamento glossy muito leve, na dose certa, nunca se tornando um espelho, como os monitores de outras marcas. É excelente, em resumo.
Finalmente, vou falar da qualidade ou da sensação de robustez dos materiais. A primeira vez que mexi num, numa Fnac, como não peguei nele e não o abri nem fechei várias vezes, fiquei com a ideia que o chassis era bastante robusto. O facto é que apesar de os plásticos parecerem robustos, quando carregamos com alguma força em algumas partes do laptop o chassis vai abaixo, especialmente no plástico lateral que reveste o laptop a toda a volta, e tendo ainda em conta que uns pseudo parafusos metálicos que adornam este plástico lateral não passam disso, de uns enfeites, porque são colados (ou assim me parece). Com a tampa fechada, e não sei se é só problema do meu, se fizer alguma pressão lateral nesta noto um pequeno mas irritante movimento, quando era suposto aquilo não se mexer, de todo.
Falei do hardware, agora falo do sistema operativo. Num laptop normal, podemos instalar, normalmente, dois sistemas operativos diferentes (Linux e Windows). No Macbook, além de poder igualmente ter Windows e Linux instalados nativamente, temos o Mac OSX Leopard. O sistema está todo optimizado para o hardware específico em que vem instalado, e essa é uma das razões (a principal) para a alta autonomia do laptop e estabilidade do sistema. Ao contrário do Linux, onde temos milhares e milhares de programas gratuitos de enorme utilidade, mas onde faltam programas que na minha área importam, como a suite CS3 da Adobe ou programas de edição de vídeo, no mac temos estes programas e ainda mais, que não existem noutros SO e que são muito bons, como o Final Cut. Temos também uma panóplia interminável de programas para tudo e mais alguma coisa, sem o aspecto rude e desleixado da maioria dos programas para Linux, melhorando a experiência de utilização do sistema em si e dando a sensação de bem estar a trabalhar, que é muito importante. Para muitos isto não interessa, para mim é fundamental.
A nível de estabilidade já se sabe, mesmo com as queixas que por aí andam acerca do Leopard (com as quais, honestamente, não me identifico), o sistema é altamente estável, tendo já o laptop estado ligado quase 4 dias seguidos, entre viagens (em standby) para a universidade, num constante ligar e desligar da corrente, saída e entrada de standby, e o sistema simplesmente responde sempre, sem se queixar, sem problemas. Magnífico. E isto tudo com 1GB de RAM. Claro que é fácil meter o laptop a borrar-se todo (perdoem-me a expressão), quase a deitar fumo, disparando a ventoinha do processador para um nível incrível e parar quase por completo o sistema, mas é aí que surge a conversa da (pouca) memória RAM para aplicações de homem de barba rija (Photoshop CS3 ou Final Cut puxam imenso pela máquina, por exemplo). Nada de estranho, portanto.
O texto vai longo, perdi-me completamente, e só agora (juro) dei conta da quantidade absurda de texto que já escrevi. Tinha mais coisas para falar, como o facto de conseguir jogar razoavelmente bem CS:Source e Need For Speed Carbon na partição de Windows, especialmente criada para isso mesmo, mas já estaria a exagerar nas palavras.
Para quem teve o discernimento e a coragem de ler isto tudo, o meu sincero obrigado, e espero que possa ter ajudado alguém a decidir ou não comprar uma destas belíssimas máquinas, em quase todos os aspectos (fica a nota menos positiva, mas sem saber se é ou não preocupante, da qualidade de montagem de algumas peças). De 0 a 10, para o uso que eu lhe vou dar, que não mete jogos em grande quantidade nem de última geração, posso, com toda a certeza, dar um 9 a este laptop maravilhoso.
No início referi que esta era a parte onde iria falar das razões que me levaram a comprar um Macbook, e acabei por escrever os dois artigos de rajada. Peço desculpa
Ps: kind of private joke — para os meninos que compraram o preto porque o branco é para meninas e para meninos com algumas dúvidas em relação à sua masculinidade, boa sorte a limparem a gordura e as dedadas do chassis. Se quiserem pode-se organizar uma vaquinha para poderem comprar uns produtos de limpeza e uns paninhos, e uma empregada que estaria a tirar as dedadas “gordurosas” de 5 em 5 minutos