Preços do iPhone, segundo o Expresso
Vamos por partes.
Primeiro, leio este artigo no Expresso com o espanpanante tÃtulo “Turistas impedidos de comprar iPhone nos EUA“, e a minha primeira reacção foi “não percebi nada do que acabei de ler, e não percebo onde se encaixa o tÃtulo no artigo”.
Volto a ler o artigo, e entendo finalmente as contradições que me estavam a atormentar a cabeça (vamos chamar-lhe contradições, é mais fofo). Segundo o “jornalista”, e passo a citar:
Nos Estados Unidos, o novo iPhone 3GS (16Gb) custa 199 dólares (€136); em Portugal o mesmo modelo é vendido por €599,9 – mais do quádruplo do valor – ou €359,9 (se for com um contrato de permanência no operador por dois anos). A versão de 32Gb custa 299 dólares (€205), por oposição aos €689,9 que é necessário despender para comprar o aparelho em Portugal
Ficamos a saber, portanto, que um iPhone sem qualquer contrato, em Portugal, custa 4 vezes mais que um iPhone com contrato de 2 anos nos EUA. É uma comparação justa. Engraçado que há ali um momento em que ele, disfarçadamente, menciona que cá também pode ser comprado com contrato de 2 anos, mas foi uma coisa muito ao de leve, retomando logo de seguida a linha de pensamento:
O modelo anterior, o 3G, é vendido por apenas 99 dólares (€68), sete vezes menos que o preço praticado no nosso paÃs: €499,9. De referir que os preços indicados implicam um contrato de permanência de 2 anos no operador que comercializa o iPhone nos Estados Unidos (AT&T)
7 vezes menos! Wohoooo! Ah, mas afinal ele sempre refere que todos os casos apresentados de preços nos EUA são com contratos de 2 anos. Ok, não interessa nada que esteja a comprara isto com preços sem contratos em Portugal, portanto vamos seguir em frente …
Para que conste, o que está escrito no site da Apple acerca dos preços do iPhone nos EUA:
Requires new two-year AT&T wireless service contract, sold separately to qualified customers; credit check required; must be 18 or older. Existing AT&T customers who want to upgrade from another phone or replace an iPhone 3G should check with AT&T or use www.apple.com/iphone/buy to find out if they are eligible for early upgrade pricing: $299 (8GB), $399 (16GB), or $499 (32GB) with a new two-year contract. For those who are not eligible for an early upgrade or who wish to buy iPhone as a gift, the prices are $499 (8GB), $599 (16GB), or $699 (32GB)
A última frase deita, de um modo muito simples, toda uma teoria que este senhor inventou por água abaixo. É que ainda por cima, imagine-se, são tal e qual os preços que são praticados em Portugal, só mesmo para contrariar o senhor. Não se fazia …
De seguida, lembro-me do tÃtulo espampanante, e de como ainda não se encaixava no meio disto tudo. Sem medo, a revelação veio logo de seguida:
Um comissário de bordo da TAP confirmou ao Expresso este cenário. “Quando chegamos de Nova Iorque, seja em Lisboa ou no Porto, somos sempre revistados. Estão sempre atentos para ver se trazemos produtos electrónicos. Agora a preocupação com os iPhones diminuiu um pouco porque nos Estados Unidos só os estão a vender a cidadãos americanos”, explica.
Espera, sou eu que estou a entender mal, ou o tal comissário de bordo acabou de referir (implicitamente) que antes vendiam telemóveis com contrato a pessoas de outros paÃses? Sinto-me confuso …
São umas contradições atrás de outras, num rol de desinformação que chega a ser assustador.
Agora falando a sério, se o jornalista quisesse ter escrito a notÃcia com pés e cabeça, devia ter explicado, em bom Português, que houve uma altura em que se podia comprar o iPhone pelo preço de contrato sem apresentar papelada, sem ter que se assinar na hora (seria feito posteriormente), e algumas pessoas aproveitaram o facto para os comprar por esses preços mais baratos. Na verdade, estavam a cometer um roubo, porque se comprometiam a assinar um acordo que depois não assinavam na realidade, e estavam a comprar o aparelho a um preço subsidiado, estando portanto a roubar tanto a Apple como a operadora em causa. Um crime, vá.
A Apple e a operadora acabaram com isso, e já não é possÃvel comprar o iphone com contrato sem na verdade assinar o dito.
Mas isto é o menos, os jornalistas têm este vÃcio estranho de só relatar as coisas muito por alto, mas o que me deixou incrédulo foi a introdução palermices lá pelo meio, como foi o caso da comparação de preços totalmente anedótica que o senhor fez no referido artigo.








Tenho um amigo que num fim de semana foi de avião a Londres, comprou um iPhone “2G” 4GB e voltou no mesmo dia
Lá está, nos tempos em que entregavam os iPhones para a mão do pessoal era fácil fazer isso. Que eu tenha conhecimento, já há algum tempo que isso foi reparado pela Apple (a culpa foi mesmo deles).
Quanto aos jornalistas de tech portugueses já nem vale muito a pena falar… Lembro-me de há uns anos um gajo que usa Macs há muitos anos mandou um mail a um querido jornalista do Expresso que tinha feito um artigo sobre a Apple a confundir nomes e marcas e a dizer uma data de disparates. O tal jornalista ainda acusou esse gajo de não perceber nada do que tava a falar lol…
Bem, não vamos entrar por aÃ, porque a verdade é que cada vez que tentam, sai asneira.
Último comentário apagado, que isto não é um jardim de infância.
Concordo que o artigo citado é obviamente tendencioso e desinformativo, no entanto, quando você escreve “(…)são tal e qual os preços que são praticados em Portugal(…)” não é bem assim, passo a informar que $699 = €477 e não €699.
Se vai criticar a falta de coerência dos outros, tenha cuidado para não o fazer também e informe correctamente.
Bruno, devia saber melhor as coisas antes de comentar (eu agradeço imenso que comente, a sério que agradeço, mas por favor, não me acuse de falta de coerência).
Faça a simples conta de 477*1.20 (uma coisa chamada IVA), e vai ver o número que dá é 572 euros. Acrescente a isto despesas de logÃstica e afins e a diferença de preço não será assim tão significativa.
Desde quando é que os preços americanos podem ser “traduzidos” de modo tão directo e leviano para Euros? Porque acha que ao entrar na alfândega estes produtos têm que pagar IVA e taxas alfandegárias?
E quando refiro “são tal e qual os preços praticados em Portugal” não o digo no sentido literal, mais 30 euros menos 30 euros não matam ninguém.
Rui, não se preocupe que eu sei do que falo.
Novamente, a falta de coerência. O preço “americano” já inclui o “IVA” deles, a uma taxa menor, certamente, mas já o inclui. Estar a aumentar essa taxa incluindo o IVA (que mesmo assim ainda fica aquém de mais de €100, se bem que ainda tenta desculpar isso com “logÃstica”), é falacioso.
Os preços não podem ser traduzidos, e eu nunca disse que podiam. Apenas fiz a conta do “tal e qual” que, não me diga que usa quando não quer dar um sentido literal à expressão… pareceu-me uma desculpa fraca.
Se dissesse “que, no final de contas, acabam por ser semelhantes aos praticados em Portugal”, dar-lhe-ia alguma razão, se bem que mesmo assim o preço é estupidamente caro em Portugal, quando comparado com outros preços na Europa… veja França, por exemplo.
Eu se o acusei de falta de coerência, foi porque a vi. Independentemente de ser essa a sua intenção ou não. Não acusei “porque sim” e nem tenho hábito de comentar quando vejo blogs que “nem merecem a minha atenção”. Este mereceu, tanto é que comentei. Peço desculpa se pareceu ofensivo, mas não foi de todo a minha intenção. Posso concordar, no entanto, que por vezes, nos meus comentários, sou assertivo.
Eu sei que os preços americanos já têm o “IVA deles”, mas os nossos preços também já têm o nosso IVA (bem superior ao deles). Não vejo nada de falacioso nisso.
Em França o preço do iPhone é o mesmo (aproximadamente, para depois não me acusar), com contratos é que é bastante mais barato que cá. Em Inglaterra a mesma coisa, em Itália a mesma coisa, e por aà fora. O iPhone livre custa aproximadamente o mesmo em *todo* o lado. A nÃvel de contratos é que não temos hipóteses, no nosso paÃs não há essa tradição (é dos poucos paÃses onde impera o modelo pré pago), e as operadoras não podem de um dia para o outro oferecer os preços que oferecem lá fora, seria incomportável.
E vou deixar de vez as comparações com os preços em dólares e euros, porque isso é completamente ridÃculo e não pode ser assim tão simples como o pinta.
Imagine que o dólar estava acima do Euro, aà os americanos já estavam a ser roubados pela Apple e nós é que éramos porreiros? É que eu ainda sou do tempo em que o dólar era bem mais valioso que o Euro, e os preços sempre tinham o mesmo nÃvel de comparação que têm agora. A diferença actual é uma consequência da perda de poder do dólar, não é nenhuma estratégia de “roubo” ou de discriminação por parte de nenhuma empresa para com os europeus. É tão simples quanto isso.
Se estiver atento, verá que muito poucas lojas americanas (agora também muitas inglesas) vendem os seus artigos para a europa, porque implicaria perderem dinheiro devido á desvalorização das respectivas moedas. Não tem nada a ver com a empresa X ou Y.