Archive for November, 2009

Os mitos da vacina contra a Gripe A 9

Como me sinto já um pouco enojado com todo o circo de desinformação que se anda a fazer com um assunto tão sério como a questão da Gripe A nas grávidas, decidi meter aqui um quote integral de uma notícia que saiu hoje no ionline:

A causa de morte de um feto – e acontecem mais de 300 por ano – é impossível de identificar em 50% dos casos, mesmo com autópsias, exames do cordão umbilical, de malformações e de alterações genéricas, devido “à enorme complexidade” da gestação, explica o obstetra Manuel Hermida que estudou durante anos estes óbitos. Mas, na lista de causas para que uma gravidez seja subitamente interrompida, não constam vacinas. O director do serviço de ginecologia/obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada, refere mesmo que “não há nenhum caso de morte associada a nenhuma vacina”. “São conhecidos casos de mulheres que, não sabendo que estavam grávidas, tomaram vacinas contra-indicadas, como a rubéola e a toxoplasmose, e não tiveram complicações graves”, diz. Mesmo assim, o clínico refere que é importante avaliar o que realmente se passou com a grávida internada na CUF Descobertas, em Lisboa, como forma de evitar “angústias que estão a ser criadas nas mulheres” que esperam filhos e que não se justificam tendo em conta o conhecimento médico existente.

Ontem, ainda os especialistas se desdobravam em explicações sobre a inexistência de uma ligação entre a vacina e as mortes dos dois fetos ocorridas nos últimos dias, e já o Hospital de Leiria confirmava um terceiro caso numa grávida de 20 semanas, com 27 anos. A mulher deu entrada ontem no hospital, com o feto já sem batimentos cardíacos, tendo a morte do feto sido confirmada pelos médicos. A vacina tinha sido administrada a 2 de Novembro.

Os resultados da autópsia do feto que morreu na segunda-feira na Cuf Descobertas deverão ser conhecidos em breve. Mas a direcção clínica descartou ontem a ligação de causalidade com a vacina, sublinhando que a grávida não teve qualquer reacção após ter recebido a imunização contra o H1N1.

A mulher está ainda internada na CUF Descobertas e, segundo a unidade, “bem, calma e sem problemas”. Antes da autópsia concluída, a directora do serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Conceição Telhado, teve pouco mais para acrescentar ao caso. A médica refere apenas que não havia estrangulamento do cordão umbilical, já que este se encontrava ao longo do corpo, e admite que pode ter sido morte súbita ou qualquer outra causa não detectada durante o parto.

A mulher, que estava de 33 semanas e um dia, deu entrada às 21h00 de segunda-feira, queixando-se de “diminuição dos movimentos fetais”. A morte do feto foi confirmada numa ecografia. O parto induzido terminou às 4h00. Era o terceiro filho e não havia doenças associadas mas, explica a responsável da unidade de saúde, “estas situações acontecem”.

Os três casos estão a criar ansiedade nas grávidas, admite o presidente do conselho de administração da Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa. Jorge Branco refere no entanto que a recusa da vacinação é que “é um problema de saúde pública”.

Como estão com as defesas imunitárias reduzidas devido à gravidez, as mulheres ficam mais sujeitas a complicações decorrentes de uma gripe que podem tornar-se graves, lembra. Na maternidade de Lisboa, a campanha de vacinação está a decorrer – as grávidas com doenças já foram imunizadas. E o médico refere que muitas têm dúvidas sobre se devem tomar a vacina. “É preciso esclarecer as pessoas. Tanto quanto se sabe, não há nenhum tipo de relação entre a vacina e as mortes.”

Gostava também de pedir aos médicos/enfermeiros/etc que andam a espalhar que não vale a pena apanhar esta vacina que tenham juízo na cabeça, e que tenham um mínimo de profissionalismo e dignidade, e que parem com esta palhaçada, porque podem estar a contribuir directa ou indirectamente para que alguém possa ter complicações gravíssimas quando era desnecessário.

Só temos o que merecemos (no que a futebol diz respeito) 6

Análise rápida a uma situação que acho verdadeiramente caricata, e que mostra bem a irracionalidade que o futebol causa.

Há uma semana atrás, um jogador do Nacional da Madeira, de seu nome Ruben Micael (ele não tem culpa do nome piroso, coitado), afirmou, no fim do jogo contra o Benfica, que tinha sido alvo de pressões durante o intervalo, no túnel de acesso ao balneário.

Obviamente, caiu-lhe meio mundo em cima, porque os jogos ganham-se em campo, porque isso são histórias da carochinha, porque não alinhamos nessas jogatanas, etc, etc …

Posto isto, esta semana, no jogo com o Braga, num jogo em que obviamente havia um ambiente agressivo de ambos os lados (eram duas equipas em igualdade pontual, no primeiro lugar, situação portanto perfeitamente natural), e em que ninguém queria perder, houve um desentendimento entre um avançado do Benfica e o banco de suplentes do Braga (não se sabe bem quem começou a festa) que gerou um enorme festim de empurrões e bofetadas à entrada do túnel.

O que se passou lá dentro ninguém realmente sabe (apesar das inúmeras teorias de conspiração), mas, contrariamente à semana passada, em que não se alinhava nessas coisas e em que os jogos se ganhavam em campo, agora parece que afinal isso já é relevante, já importa, e já teve, imagine-se, influência no resultado.

Há uma semana atrás, como se deu mais uma goleada, ainda se gozou com as situações, esta semana perde-se, num grande jogo de futebol em que qualquer equipa podia ter marcado vários golos (ganhou quem foi mais eficaz), e afinal essas coisa já interessam.

O futebol é uma coisa estranha, não concordam?

ps: não quero minimamente saber quem teve culpa ou deixou de ter tanto numa semana como noutra, é-me completamente indiferente, é só para realçar o interesse que as coisas ganham quando é mais ou menos conveniente.