A triste sina Portuguesa 16
Acabou o mundial para Portugal, e agora que já estou com a cabeça mais no sÃtio, tenho umas coisas a escrever acerca da participação da selecção.
Vamos começar pelo fim. Fomos eliminados pelos actuais campeões Europeus, com um golo em fora de jogo, depois de calharmos no grupo que tinha o Brasil e a mais forte selecção Africana da actualidade. Tivemos boas oportunidades de golo, a Espanha teve mais posse de bola (vale o que vale, para mim não vale nada), e perdemos basicamente por causa de dois ou três erros tácticos cometidos por um treinador que decididamente não tem estaleca para estas decisões.
Começámos com um pequeno erro, tivémos medo dos africanos. Há que aceitar que se perdessemos aquele jogo estávamos logo ali fora dos oitavos de final, mas podia-se ter arriscado mais, e houve erros tácticos que ditaram a nossa falta de ambição. Fez-se o suficiente, mas não se fez tudo o que se podia fazer.
O jogo contra a Coreia foi completamente surreal. Jogámos futebol de alto nÃvel (em parte porque nos deixaram, claro está), mas por outro lado foi o único jogo em que arriscámos, e em que tÃnhamos mesmo que arriscar, era o tudo ou nada. Resultado? 7-0. Não vou minorar a vitória (como hoje toda a gente está a fazer), porque aquilo não foi simplesmente uma vitória contra uma equipa fraca, foi muito mais que isso. Infelizmente, foi mesmo o único jogo em que entrámos para ganhar.
Contra o Brasil, nada a dizer. Fomos um pouco apertados na primeira parte, numa de “vamos lá a ver se os Portugueses se aguentam”, e a segunda parte foi uma pasmaceira total, porque ninguém estava ali para ganhar. Segundo erro estratégico, este bem pior. Portugal na segunda parte tinha que fazer pela vida, tinha que fazer contas, e tinha que pensar que o primeiro lugar dava acesso a uma auto-estrada com bem menos trânsito que o segundo lugar.
Mas Portugal passou, começou-se a elogiar Queiroz, e a corja (corja porque sinto repulsa, nojo, mesmo, de quem prefere ser contra a selecção nacional por esta ou por aquela razão, mas felizmente são poucos) esperava nas sombras, como belos cobardes que são, para dar a golpada na selecção de todos os Portugueses.
Ficámos em segundo, e calhámos, imagine-se, no mesmo mundial, em dois jogos seguidos, com a segunda das duas equipas que estão à nossa frente no ranking mundial da FIFA, a Espanha.
Boa primeira parte, excelentes oportunidades de golo de ambas as partes, apesar do domÃnio de bola dos Espanhóis (que como já referi não me diz nada, é só uma estatÃstica). Na segunda parte, a parte em que se distinguiam os homenzinhos dos rapazolas, Del Bosque tira o menino de ouro de Espanha (que não andava lá a fazer nada) e mete um ponta de lança possante e fixo na área Portuguesa, para desequilibrar as marcações e libertar mais o grande jogador daquela equipa, o Villa.
O que fez Queiroz? Fez o oposto. Tirou o Hugo Almeida, que estava a fazer um belo de um jogo (tinha acabado de deixar nas lonas um defesa Espanhol, ele que até nem é muito rápido), e meteu a grande nulidade deste mundial (e da qualificação, já agora) a ponta de lança.
Resultado? A Espanha marcou pouco depois, num desequilÃbrio da defesa Portuguesa, mas tinham que marcar em fora de jogo, e há que dizê-lo, porque foi mesmo fora de jogo. Daqueles em que o fiscal de linha manda moeda ao ar para decidir se é ou não (ao calhas, como se diz por cá), mas era fora de jogo. Entrou, foi validado, é um golo como qualquer outro, e nós não tivémos mais força para fazer o que quer que seja, porque a equipa não estava montada para atacar.
Falta de ambição, mais uma vez, e um erro táctico daqueles mesmo gigantescos. Não se podem cometer tantos erros tácticos e esperar que as coisas corram bem.
O que é curioso nisto tudo é que uma competição destas (e aà é que está a piada) é tremendamente injusta. Calhámos, desde o sorteio, até à eliminação, no caminho mais complicado para chegar ao tÃtulo. Estivéssemos num outro grupo qualquer mais acessÃvel, e neste momento, sem grande dificuldade, estávamos, até, com um pé nas meias finais. Mas não, calhámos no caminho dos homenzinhos grandes, e só fomos uns rapazolas sem ambição. Não vou aqui enxovalhar o Queiroz, porque o homem fez tudo o que sabia, mas não foi suficiente, apesar das circunstâncias escritas neste parágrafo.
Resta-me fazer uma breve análise (sempre quis fazer isto) aos jogadores da selecção. Cá vai disto:
Eduardo – deu um gozo tremendo vê-lo cantar o hino, vê-lo protestar com os defesas, vê-lo chorar em campo, e vê-lo fazer defesas do outro mundo. Que grande guarda redes (nada que não se soubesse já), e que grande homem.
Bruno Alves e Ricardo Carvalho – para mim, a melhor dupla de centrais deste mundial. Acabámos eliminados pelo único golo que sofremos em 4 jogos, contras as melhores selecções do mundo. Brilhantes.
Fábio Coentrão – uma pérola ainda em estado semi-bruto (?!), este rapaz. Grandes exibições nas primeiras partes dos jogos, que levaram invariavelmente os adversários a saÃrem daquele flanco nas segundas partes. Enorme, grande jogador que ali está, a defender e a atacar (enquanto tem pernas).
Meireles e Tiago – dois pequenos grandes jogadores, que infelizmente sofrem do mesmo problema, falta de condição fÃsica para aguentar 90 minutos de alto nÃvel. Quando têm espaço para jogar formam um meio campo imparável.
Paulo Ferreira e Miguel – o primeiro já não é o que era (foi sem qualquer dúvida um dos melhores defesas direitos de Portugal de todos os tempos), a idade é uma coisa complicada, e o segundo está numa fase em que sinceramente não sei muito bem o que vêm nele. No jogo que fez, contra uma selecção mais fraca, só fez asneira. Completamente fora de forma.
Ricardo Costa – foi chamado a cobrir a defesa do lado direito, não sei muito bem porquê, e mostrou inúmeras vezes que sendo ele central, não tem velocidade nem capacidade para cumprir aquele papel. Foi massacrado contra a Espanha.
Pepe – um fetiche do treinador que não correu bem. Estava sem forma, estava cansado, e além de jogar numa posição que não é a dele (o Pepe é, sem qualquer sombra de dúvida, um dos melhores defesas centrais do mundo) notou-se claramente que resolvia a maioria dos lances à cacetada, precisamente por não ter pernas.
Pedro Mendes – jogador magnÃfico no FCP de Mourinho, está velho, mas cumpre, e tive pena de não se ter apostado mais nele em vez de andar a sacrificar o Pepe.
Deco – rendimento nulo no primeiro jogo, acho que era de bom tom criticar o seleccionador em público, e não meteu mais os pés em campo. Bela maneira de terminar a carreira na selecção.
Ruben Amorim – depois de Queiroz ter sido queimado na fogueira (por razões clubÃsticas, o uqe não deixa de ser engraçado) porque não convocou este rapaz e o Carlos Martins, lá oi chamado depois da lesão misteriosa do Nani, e, por razões que ainda não descortinei, entrou em campo no primeiro jogo passando à frente de outros que sempre lá estiveram. Acabou lesionado, e nunca mais fez parte dos planos. Péssima gestão de ideias do Queiroz, mas o rapaz não tem culpa.
Miguel Veloso – entrou uns minutos contra a Coreia, não há muito a dizer.
Duda – sem comentários. o que é que este tipo anda mesmo ali a fazer? Mais um fetiche do Queiroz.
Danny – um tipo sem garra. Teve inúmeras oportunidades, não agarrou nenhuma. É lento, não tem visão, e quando tenta imprimir velocidade ao jogo é um trapalhão. Atrapalhou mais do que construiu.
Simão – está velho, o rapaz. É esforçado, luta, mas já não é o jogador que era, infelizmente. Confesso que nunca gostei muito dele (odeio jogadores fiteiros), mas a verdade é que na selecção foi sempre um grande profissional. Cumpriu.
Hugo Almeida – é sempre aquela incógnita. Tem fÃsico, tem alguma técnica, mas há ali qualquer coisa que o impede de ser um grande jogador. Cumpriu muito bem sempre que foi chamado, e ontem estava a fazer um magnÃfico jogo, até o treinador decidir que ele estava cansado tirando-o do jogo (algo que ele desmentiu posteriormente). *O* erro do mundial de Queiroz.
Liedson – mais um que já deu o que tinha a dar. Aliás, e vou ser sincero, nunca percebi a chamada do Liedson à selecção.
Cristiano Ronaldo – 0. o 0 representa a nulidade. Cristiano Ronaldo é uma nulidade na selecção. Pior, além de ser uma nulidade, faz com que tenhamos feito 4 jogos no mundial com 10 jogadores, porque ele é, de facto, um elemento a menos. Não defende (contam-se pelos dedos das mãos as vezes que passou para trás da linha de meio campo), destrói jogadas de ataque (bola nele era ou para perder para os defesas ou para rematar) e ainda consegue ser um puto mimado que nem cabeça tem para falar aos jornalistas quando sai de um balneário, mandando recados para este e para aquele. Depois, aparece um comunicado da sua agência a desmentir o que tinha acabado de dizer.
Ronaldo não tem cabeça, é um puto desmiolado sem qualquer capacidade de liderança ou espÃrito de equipa. E o Queiroz e a federação andam com ele ao colo. Inqualificável. Num paÃs a sério, com uma federação a sério, este puto era metido no seu lugar. Assim não se passa nada, assobia-se para o lado. Grande mundial do Cristiano, sim senhor.








